9 de outubro de 2011

Como foi bom ser criança...


Com o dia das crianças chegando decidi parar para admirar minha vida, meu passado, minha infância. Ai que saudade que dá daquele cheirinho de lápis de cor novinho, o cheirinho da madeira escapando pra fora da caixa logo no início do ano. Melhor que o cheirinho do lápis, era o cheiro do giz de cera e da massinha de modelar.
Bom mesmo era correr no meio da rua, se sujar ao fazer bolinho de lama da areia do vizinho, me cortar ao tentar abrir o detergente pra fazer bolhinhas de sabão. Como era bom receber a ligação do meu pai na sexta feira, dizendo que estava voltando pra passar o final de semana em casa e pedir de quebra uma outra Barbie. Era magnífico brincar de boneca, de escolinha. Fingir ser secretária, médica, universitária. Escolher o nome dos filhos quando ganhava uma boneca nova. Era tão bom o pique pega, o pique esconde, jogar Bete ou o dono da rua. Brincar de bandeirinha então? E jogar queimada? Brincadeira de criança. Como eu adorava catar joaninha na arvore da escola, e inocentemente arrancar as asas da coitada, na esperança de que ela não fugisse pra longe de mim. Já tentei salvar um passarinho que caiu da arvore, uma borboleta com asa quebrada e um cachorrinho de rua. Fugia de casa tão frequentemente que minha mãe já estava cansada de se desesperar, acho que desde pequena fui dona da minha própria liberdade. Me apaixonava como quem trocava de roupa, e tive um amor platônico irremediável por meu melhor amigo na sexta série. Jogava peteca, adedonha, dançava o É o tchan até ficar cansada. Meu sonho era ser cantora ou atriz da Globo. O  cachorro que mais amei de todos foi o Tiziu e  chorei muito quando ele fugiu e foi atropelado. Eu também tive um papagaio que tinha ciúmes de todas as minhas amigas, e que por sinal espirrava quando eu espirrava. Chegava da escola e ia assistir “Um maluco no pedaço”, “Três é demais” e a “Ursupadora”. Ficava copiando as traquinagens de Tom e Jerry e Pica Pau, quando não me inspirava no Pica pau. Assisti os filmes de contos de fada tantas vezes que foi difícil acreditar que meu príncipe encantado nunca chegaria. Acreditei no Papai Noel e enviei cartinhas no natal. Adorava as festinhas de final de ano na escola e a troca de presentes do amigo secreto. Na época de Hantaro fiz meu pai comprar uma Hamster pra mim como presente de fim de ano, e dei a ela o nome de Aurora, porque ela dormia demais e era a minha Bela Adormecida. Dei um pirulito pra um menino da minha rua, como prova do meu amor, eu tinha 12 anos mas até hoje ele me atormenta com isso. Tive um Ursinho Pooh, uma Barbie que engravidava, e a sandália da Sheila Melo que vinha com Tererê. Dancei Xibom bom bom. Apanhei por ficar até tarde na rua, por desobedecer minha mãe e por sentar na cabeça da minha prima uma vez. Adorava lamber a bacia do bolo e ir pra casa da minha tia aos domingos, brincar com meus primos de guerra de balão d’agua (a gente mais brigava que brincava, mas era muito bom). Passava as férias na casa da minha professora, ou então na casa da Tia Zê, e estou nesse momento sentindo o gostinho do bolo de chocolate que ela fazia. Cantei “Como é grande o meu amor por voce” no dia das mães, na escola.Me perdi uma vez num clube por que fiz amizade com uma menina e fiquei conversando com ela horas e horas enquanto o povo enlouquecia atrás de mim. Como eram bom os passeios da escola que envolviam água, eu voltava pra casa parecendo um camarão. A primeira vez que fui ao cinema foi pra assistir Tainá na Amazônia. E Harry Potter me salvou, e ainda salva, de dias tristes e tediosos.
Seria ótimo que eu pudesse descrever cada momento, e transmitir toda a saudade. Como é bom lembrar da época mais feliz da minha vida, e saber que eu vivi, sobrevivi, e hoje sou quem sou.

Feliz dia das Crianças!

4 de outubro de 2011

Era uma vez uma pessoa...


Um belo dia, numa terra muito distante, uma menina encontrou um amigo, o local do encontro não se pode revelar, visto que reconheceriam logo a história. O amigo perdido, e encontrado, não sabia ao certo o que pensar sobre a menina, ela parecia ser de outro mundo para ser encontrada ali, naquele ambiente.

Após aquele encontro, os dois passaram muito tempo juntos, mas só se correspondiam por cartas, bilhetes e mensagens, e desse modo era difícil que tivessem verdadeira noção de quem era quem. Em meio a tantas correspondências, a menina se tornou dependente do amigo, e ele era para ela um tesouro de valor imensurável, um alguém de quem se falava o tempo todo, aquela pessoa que se torna o céu e a terra para alguém. Os dois pareciam ter muita intimidade, mas para a menina ele era o melhor, o único capaz de entender suas diversas fases e faces. Ele era para ela a melhor pessoa existente, mesmo que com um quê de solidão e tristeza enraizadas no fundo do coração, aquele tom de desesperança e de desolação, de desanimo e ainda assim, vontade de conquistar e de vencer. Ela tentava de todas as formas, através de suas cartas, animá-lo, dizia que ele era capaz de tudo, se quisesse, e que deveria traçar metas para alcançar esse futuro tão desejado. O rapaz era capaz de verdade, ele trabalhava com algo bastante influente na época, uma daquelas coisas que a atualidade exige, mas poucos sabem fazer com excelência, por isso ele era magnífico na tarefa que desempenhava. 

A relação dos dois, a cada dia que passava se tornava mais próxima. A menina reconhecia os defeitos que ele tinha, mas mesmo assim não pôde evitar gostar sempre mais dele. Ele era mais velho, já havia passado por diversas experiências de vida, inclusive casamento e paternidade. Ela se envolvia sempre mais na vida dele, julgando ser capaz de compreender cada esquisitice do rapaz. E se julgava tão próxima, que só queria ele pra si, era egoísta e não aceitava que ele dividisse a atenção com mais ninguém.

Foi quando a situação começou a mudar, pois o rapaz, mesmo gostando muito da amiga, ela só era sua amiga e a relação dos dois não passaria disso nunca, mesmo que ela pensasse o contrário. Foi aí que outra moça entrou na história. Depois de ter sido mencionada diversas vezes nas cartas que eles trocavam, ele havia ficado curioso por saber quem era essa tão misteriosa Mirella, e assim passou a corresponder-se com ela também. Mirella, como era o nome da nova moça, era amiga da primeira, o que só complicou a situação. A menina, mesmo sendo uma pessoa meiga, calma e compreensiva revoltou-se contra a relação dos dois, e enciumada, acabou por afastar os dois de si própria. Ao perceber que os dois se enamoravam sempre mais, o desprezo pela relação dos amigos aumentava e ela pouco suportava a presença ou as correspondências de ambos.

Decidiu então seguir em frente, abriu seus olhos e logo se apaixonou pelo rapaz que entregava leite em sua casa, com quem vive até hoje, casou-se e teve filhos.

Ela sentia-se mal por ter se afastado de Mirella e do amigo, sentia saudades de ambos e sempre ansiava por saber noticias de como eles estavam, se ainda estavam juntos e tudo o que mais tivesse relacionado aos dois. Enviou então uma carta para o rapaz, desculpando-se por sua indulgência e capricho ao julgar que ele era sua, e somente sua propriedade. Mas sua carta foi respondida com um mero bilhete, por sinal muito curto e frio, o que a deixou ainda mais triste. Então a menina decidiu caprichar ainda mais, escreveu outra carta, pediu desculpas como se tivesse cometido o maior erro do mundo, e expressou-se de diversas maneiras para demonstrar como lamentava a separação, disse o quanto sentia falta daquele que foi, por tanto tempo seu porto seguro e único amigo. A essa carta, ainda mais caprichada, ele nem se deu o trabalho de responder. Mirella, a amiga com quem ele se envolvera, apesar de estar afastada e ter se apossado do amigo da outra, tinha um coração tão puro quanto o da primeira. A diferença entre as duas era que Mirella era cem vezes mais impulsiva, e duzentas vezes mais coração mole. O que mais tarde lhe custaria mais caro do que se poderia imaginar.

Sendo assim, mantiveram-se afastados uns dos outros, por meses que se arrastavam. E quando a angustia já consumia tanto a menina de quem falamos, ela se viu obrigada a tentar novamente, e se sentiu encorajada ao saber que Mirella e o rapaz já não eram tão amantes como foram no começo. Sendo assim, enviou uma carta desta vez destinada a Mirella, ao qual foi respondida com os mesmos sentimentos de tristeza, saudade e perdão. As duas voltaram a relacionar-se, mas Mirella evitava dizer ao rapaz que havia retomado a amizade com a tal menina, visto que o amor que eles sentiam um pelo outro definhava, e a amizade que ele e a outra outrora tão valorizada havia se extinguido, dando lugar ao desprezo e à mágoa. O que não tardou a acontecer entre os dois também.

Mais tarde, pelos rumores que ouvi, soube que a segunda moça, Mirella, havia sofrido bastante por causa do rapaz. O relacionamento dos dois havia se tornado obsessivo, e ela sentiu-se sufocada pelos sentimentos dele, sendo julgada pelos erros que havia cometido em seu nome, mesmo depois de ter suportado muitas tribulações por sua causa. Dentre tais tribulações havia muitas traições, inclusive com a ex esposa dele. O relacionamento foi terminado diversas vezes, por motivos até hoje desconhecidos, incompreensão e ciúme do problemático rapaz estão entre eles, mas nada há que comprove a teoria. Mirella foi encantada pelo mesmo rapaz que encantou a sua amiga, se entregou a ele como uma folha seca se entrega ao vento quando chega o outono, mas esse vento acabou por levar a folha mais longe e mais fundo que o próprio chão.

 A menina Mirella era tão linda, que causava inveja até nas moças mais virtuosas da região. Sua beleza era exótica, seu rosto parecia com o de um anjo, mesmo que sua personalidade não fosse nada angelical, e seu corpo era belo, nem muito cheio e nem muito vazio, como o de uma índia. Ela era impulsiva como já disse aqui, mas seus atos eram nada mais nada menos que impensados, ela vivia o momento como se suas atitudes não fossem gerar uma conseqüência posterior. Tão apaixonada era, e tão carente, que até o menor gesto de afeto fazia com que ela se sentisse bem, e assim se apegava muito a todos aqueles que dela parecessem gostar.  Ela na verdade nunca teve a intenção de roubar o amigo da outra, e muito menos de causar-lhes uma separação. Ela nunca teve mesmo foi a intenção de se magoar, o que aconteceu de uma forma drástica.
Como disse, o rapaz destruiu o coração dela como se estivesse amassando uma folha de papel qualquer, e jogando a no lixo como algo sem valor. A história dos dois é tão complexa, que só as idas e vindas já a torna difícil de entender. A única verdade que se sabe é que ela se enganou com caráter do rapaz tanto quanto a amiga. E a pessoa de quem elas tanto gostaram um dia se tornou um pesadelo na vida das duas. A menina, logo superou a decepção que o rapaz lhe causou, e logo passou por cima daquele desgosto. Mas Mirella, até hoje sofre, pois ainda o ama demais para deixá-lo sair de seu coração, mesmo depois de ter passado por tudo o que passou, e por ter lido todas as cartas que ele posteriormente lhe enviara, palavras tão ferrenhas que até quem se via por fora da situação se sentia insultado. Para Mirella aquelas palavras eram, e ainda são, facas com dois gumes, a cortar seu coração em pedaços cada vez menores, tão pequenos que às vezes ela pensa que nem tem mais um coração.

Talvez pense assim por ter plena consciência de que, mesmo depois de todo o mal que passou, seu coração pertence à mesma vil criatura, um rapaz que à primeira vista pareceu ser um cordeirinho indefeso e posteriormente se mostrou um lobo feroz, capaz de arrancar cada pedaço de seu corpo friamente, sem se sensibilizar com os sentimentos de sua vítima, outrora sua companheira e amante. Mirella até hoje sofre, e sua amiga, que um dia também fora amiga do rapaz, tenta consolá-la. Mirella na verdade só pode contar com ela pra consolo, pois nem uma outra pessoa conheceu tão bem o rapaz de quem se fala, ou pensou que conhecia. A amiga, por outro lado, foi também magoada pelo mesmo homem, de uma forma diferente, mas, nem por isso menos dolorosa. E a menina, tenta consolar Mirella, e explica a ela que só o tempo poderá curar as dores que essa paixão deixou, e que as cicatrizes serão eternas, mas nem por isso as feridas estarão abertas para todo o sempre.

Há de chegar o dia em que o rapaz se encontrará sozinho, sem amor e sem amizade, pelo simples fato de se achar auto-suficiente. Mas uma coisa é verdade, e é a única verdade que importa nessa história. Ninguém é feliz sozinho, e mais feliz é Mirella, que ainda tem um alguém que a apóie e incentive a esquecer o que se passou, do que o rapaz, que se ilude com novos amores e amigos, mas que um dia acabará por feri-los da mesma forma que feriu as duas anteriormente.

Decepções virão um dia a todos, e é preciso saber lidar com elas para que não se passe a vida inteira consumindo-se por algo que é passado. As cartas cessarão, o passado é passado, e o futuro é o que realmente importa agora, pois o presente, pelo menos para Mirella, ainda é uma tortura.

Vale salientar que a menina, o rapaz, e Mirella, são mais reais do que se possa imaginar.


25 de setembro de 2011

Estou aqui...

 Essa semana eu estava em casa, tranquila e calma, quando um assunto um tanto delicado foi levantado - minha viagem de formatura para Londres. Ainda não disse aqui, mas minha turma na universidade decidiu trocar uma festa de formatura por uma viagem para Londres, com um curso durante três semanas em uma escola reconhecida internacionalmente, hospedagem e café da manhã e jantar incluídos, por um preço absurdamente barato, comparado ao que poderia ser se fosse uma viagem individual e não em grupo. Eu acho que já que eu só vou me formar uma vez na vida eu mereço um presente de formatura, e independentemente de ter ajuda financeira do meu pai ou não, eu vou tentar de todas as formas que eu conseguir levantar esse dinheiro. Meu pai não pode pagar por isso sozinho, eu sei, mas eu vou tentar e vou conseguir, nem que pra isso seja preciso meu nome ir pro SPC. Mesmo que alguém venha e diga, como já disseram, que eu não vou conseguir, que é impossível, EU VOU. A minha resposta a essa (as) pessoas é essa música. 




Eu quero mais do que você
Imagina que vou ter
Dos meus sonhos não vou desistir
Eu sou pontos de interrogação
Sem respostas na canção
Só entenda
Que nunca serei
O que querem pra mim
Não sou mais menino pra chorar
Sou um homem vou buscar
Meu destino
E vou mais além
Será,
Que mundo vai me dar
Uma chance de lutar
Ninguém sabe que
Estou aqui
Mas sei tudo que eu quero viver
Dos meus sonhos vou fazer
Um caminho traçado por mim
Por que todos querem controlar
Qualquer coisa que eu pensar
Se pra eles não estou aqui
Você vai um dia perceber
Que eu só quero te entender
E o meu nome você vai guardar
E eu quero ainda te provar
Que é você quem vai ficar
Ao meu lado
Se tudo estiver contra mim
Todos tentam me dizer
Que eu preciso crescer
Mas se ainda não tenho certeza
Do que quero ser
Tenho toda certeza
Daquilo que não vou fazer
Mas sei tudo que eu quero viver
Dos meus sonhos vou fazer
Um caminho traçado por mim
Por que todos querem controlar
Qualquer coisa que eu pensar
Se pra eles não estou aqui
Sou mais eu
Estou aqui, estou aqui,estou aqui...
Jota Quest

21 de setembro de 2011

A imagem diz tudo...


"O destino une e separa pessoas, e mesmo tão forte é incapaz de fazer com que esqueçamos pessoas que por algum momento nos fizeram felizes." (@Literatuitando)







16 de setembro de 2011

Thanks Harry...




Muitas pessoas me perguntam o porque de eu gostar tanto de Harry Potter. Não só perguntam como me julgam por eu gostar de uma coisa tão "..." melhor nem comentar. E eis que eu estou aqui para responder essa pergunta, um tanto inconveniente as vezes. Vou contar a história desde o comecinho, para que entendam direitinho.
Eu odiava Harry Potter, quando eu tinha doze anos. Não gostava nem de ouvir falar nesse livro que tirava a atenção dos meus primos das nossas brincadeiras costumeiras de dia de domingo. Dizia que era coisa do cão, como muita gente diz, que não prestava, que não era interessante. 
Era tão insuportável pra mim, que um dia cheguei na escola, na 6ª série, e minha professora de ciências tinha levado um filme para a gente assistir, adivinha qual era o filme? É isso mesmo. 
Eu não tinha nem a opção de sentar ao fundo porque todas as cadeiras estavam ocupadas, então fui obrigada a sentar lá na frente, pra assistir um filme bobo. Mas, no fim do filme eu já não pensava da mesma forma. Tinha me apaixonado pelo pobre menino orfão, maltratado pelos tios, que tinha encontrado um mundo diferente do seu, onde podia ser feliz, e ter amigos.
Começou aí, li o primeiro livro e depois o outro, e ganhei mais alguns. Sempre fui apaixonada por Harry, pois quando eu lia eu fugia da realidade. Eu era, e ainda sou, levada para um mundo irreal, mas fantástico. Gostava de ler principalmente quando estava triste ou magoada, Harry era meu melhor amigo naqueles momentos, e depois de algumas páginas eu já me sentia bem melhor. 
Harry me deu muitos amigos, amigos importantíssimos e valiosos. E desde o começo a amizade foi a lição mais importante que ele me ensinou.
Harry faz parte de um passado valioso, e só eu sei o quanto ele foi importante pra mim. Eu faço parte dessa geração, e não tenho medo de assumir isso. Sou fã, mas não por Harry Potter ser modinha, ou ter sido modinha. Sou fã, por ele ter me dado uma luz quando tudo era só escuridão. 
E agora que a série está terminada, eu só tenho a dizer uma coisa, uma única coisa:

Obrigado J.K. Obrigado Harry!

Não me importo que as pessoas não entendam. Ninguém me conhece melhor que eu mesma pra saber o que é bom e ruim pra mim. Ninguém pode me julgar por isso, porque eu tenho orgulho de fazer parte de algo que me faz e me fez muito bem.
Sentirei falta de todas as expectativas pré lançamento, mas os livros estão todos aqui pra me lembrar de como é bom conhecer e gostar de Harry Potter.

4 de setembro de 2011

And you just can't deny it...

As vezes penso não ser capaz de lidar com certos sentimentos, de verdade, me sinto completamente desnorteada em certas situações...
Lidar com o passado por exemplo, é muito difícil. É muito difícil esquecer pessoas, enterrar mágoas, apagar momentos, sentimentos, e principalmente, assumir que me enganei, me iludi a respeito de muita coisa, afinal nem tudo era o que como pensei.
Pessoas passaram por minha vida, amigos e amores, todos eles deixaram suas marcas, boas ou ruins, ou boas e ruins, depende da situação. Mágoa, do que foi ruim, saudade do que foi bom. 
No fim das contas talvez não importe, é passado. Mas mesmo estando muito feliz no presente, as lembranças existem para me lembrar do que foi bom, e também do que foi ruim. Hoje recebi uma notícia que trouxe a mim várias lembranças, positivas e negativas,  e fiquei parte do dia me sentindo tristinha, sem saber o motivo exatamente. Até que realizei, que certas lembranças de um tempo bom não merecem ser apagadas , mesmo que a vida tenha tirado o protagonista delas da sua vida. A lembranças ruins trazem dor, são como cicatrizes na alma, que nunca serão apagadas também.
Certas coisas a  só se vive uma vez, e eu as vivi tão intensamente que não imaginei que acabariam um dia, mas acabaram. E hoje são só lembranças, que compõem o meu livro da vida. Ilusões talvez? Foi bom enquanto durou, a vida já deu suas voltas e embaralhou tudo de novo. Que cada um possa ser feliz do modo que for possível, aceitando sempre os caminhos que Deus traçou, fazendo escolhas e tomando decisões da melhor forma possível. Passado é passado, não volta mais.

Sometimes the past comes for you, and you just can't deny it...

1 de setembro de 2011

What if today was your last day?


  Você já parou pra pensar o que faria se hoje fosse seu último dia? Se não, pare e pense.
Eu dou aula de inglês no curso de extensão da universidade, e hoje levei uma música para meus alunos refletirem e relaxarem antes de começarmos a 2ª unidade do livro. A música é - If today was your last day, de Nickelback. (clipe à esquerda). 

   Sempre gostei dessa música, desde o primeiro momento em que a escutei, acho que é porque ela me faz pensar no quão inconsequente eu estou sendo com minha própria vida. 
Não podemos deixar a vida passar por nós como se fosse algo sem importância. A vida acaba sabia? 
    Acredito que quando vivemos o presente esperando o futuro, esquecemos de viver de verdade, de aproveitar cada momento, de não se importar com coisas irrelevantes. Acabamos por guardar mágoas passadas, se apegar a um passado que não volta mais, quando na verdade deveríamos estar dando o melhor de nós mesmos, para nós e para os outros.
    Hoje questionei meus alunos, perguntando "E se alguém chegasse e dissesse, Fulano, hoje é seu último dia na vida, amanhã você não existirá mais" o que vocês fariam? Eles ficaram pensativos, meio que calados, alguém disse que nem iria dormir. Mas se hoje fosse o MEU último dia, de uma coisa eu teria certeza, eu iria me arrepender de muita coisa que fiz, e que deixo de fazer todos os dias. Ia perceber que um dia é pouco pra tapar todos os pequenos buracos criados ao longo da vida. Eu sou uma pessoa muito acomodada, gosto de adiar as coisas até o ultimo momento. Mas não devo adiar mais nada, pois um dia pode ser tarde pra tentar ser uma pessoa melhor, mais educada, mais responsável, mais gentil. Um dia pode ser tarde pra falar a todas as pessoas que eu amo o quanto as amo de verdade. Meu avô já dizia que não devemos deixar pra amanhã o que podemos fazer hoje, o conselho é antigo, mas assim como minha querida amiga Sheyla Mayra diz, as vezes pensamos tarde demais no que deveríamos ter feito, e aí não dá mais pra voltar atrás. 
    Eu só quero dizer com isso, assim como a música diz por mim, que não importa quem você é, nem o que você faz. O importante é aproveitar cada dia como se fosse o último, buscando sempre fazer o bem, pra si e para o outro. Não devemos levar a vida como se amanhã pudéssemos resolver o que devemos resolver hoje, o amanhã pode não chegar, e pensar nisso é angustiante. Não queira reviver o passado, apenas guarde as lembranças boas. Não queira viver o futuro, fazendo isso você perderá o presente.  "Não adianta viver sonhando e se esquecer de viver" disse Alvo Dumbledore. Seja você mesmo, mesmo quando o mundo quer que você seja outra pessoa. Não podemos voltar atrás e mudar nossa história até o agora, mas podemos mudar agora, e viver agora, e ser feliz agora. O amanhã é incerto demais para confiarmos nele. 


31 de agosto de 2011

Respeitosas revoltas...

     É, pois é... Hoje o dia não foi lá muito agradável em alguns sentidos, em compensação aconteceram fatos que me deram o que pensar...
Minha irmã está grávida e hoje era o dia da consulta do pre-natal, então eu como uma tia babona e coruja resolvi ir com ela ao consultório médico para saber tudo a respeito do meu sobrinho(a). Chegando ao consultório, percebemos a super lotação do local. Haviam no mínimo umas 15 pessoas no hall do consultório, esperando a secretária chegar para organizar e saber quem tinha chegado primeiro e todo resolver aquele processo. Até aí tudo bem, mas quando a moça chegou que todas as 15 (ou mais) pessoas entraram na recepção do consultório foi assustador. Havia um total de 11 grávidas presentes, sem contar os acompanhantes, assim como eu, e apenas 8 ou 9 cadeiras. Foi onde me revoltei pela primeira vez, pois pude perceber que havia um dos acompanhantes muito bem sentado, provavelmente jogando no celular, enquanto haviam 5 mulheres GRÁVIDAs em pé... Fiquei observando por quanto tempo ele ficaria sentado, até que percebi que ele não planejava se levantar para ceder o assento para nenhuma delas. Eu como já estava em pé não pude fazer muita coisa, mas fiquei me corroendo por dentro e decidi sair da sala com minha irmã, pois haviam algumas cadeiras no corredor do prédio. Passei a tarde inteira sentada no chão, bem fresquinho, pois cedi a cadeira para outras grávidas que saíram da recepção. Mas fiquei o tempo todo pensando na falta de sensibilidade daquele homem, pois caso fosse a mulher dele em pé, ele provavelmente não ia achar agradável. Essa foi apenas minha primeira revolta pois ao sairmos da consulta, eu e minha irmã nos dirigimos ao ponto de ônibus para irmos para casa. O ônibus chegou, lotado pois voltava da universidade no horário de pico, 18:00. Nós ficamos em pé, e como minha irmã não está visivelmente grávida por estar apenas com 2 meses de gestação, não havia motivos visíveis para alguém ceder o lugar pra ela. Porém, ao meu lado vinha um senhor, também em pé, aparentemente com uns 60 e poucos anos de idade. Percebi que ele estava mal apoiado nas barras de ferro do ônibus, e fiquei revoltada mais uma vez. Um ônibus lotado de estudantes universitários, sentados inclusive nos assentos preferenciais, e um senhor idoso em pé, sendo obrigado a se equilibrar enquanto o ônibus sacolejava loucamente. Eu novamente não fiz nada, até eu chegar ao assento preferencial e o senhor sentar teríamos chegado no terminal de integração, que é o lugar onde a maioria dos estudantes descem. Mas enfim, novamente fiquei me perguntando como as pessoas conseguem ser tão mal-educadas, sem um pingo de sensibilidade e respeito ao próximo. 
A terceira vez que me revoltei foi quando entrei no ônibus que vai para a minha casa e olhei pro chão. Quase infartei ao ver pacotes de biscoito e salgadinho jogados no chão, como se o chão do ônibus fosse idêntico a uma lixeira. A quarta e última revolta foi ver um motorista passar direto do ponto quando, por coincidência,  uma mulher grávida pediu parada. Certo que tinha um outro ônibus no local, mas a obrigação do motorista era parar ali e apanhar passageiros. 
Enfim, após desabafar minhas revoltas de hoje, paro pra refletir em quanto as pessoas se tornaram mal-educadas, cegas e insensíveis. Garanto que se fosse a gente no lugar dessas pessoas, nós nos sentiríamos diminuídos, assim como me sinto um nada quando entro num ônibus lotado, cheia de livros nas mãos e tenho que fazer malabares  para me equilibrar em pé, e tudo isso por que ninguém, nem uma pessoinha, se ofereceu para segurar meus livros até algum assento ser desocupado e eu poder sentar. 
As pessoas perderam o pouco que restava de respeito ao próximo? Só pensam no seu conforto e nos seus problemas? E quando tiverem velhinhos, ou quando a mãe ou pai delas forem andar de ônibus? Será que elas gostarão de ir em pé enquanto tem uma criança de dois anos sentada em uma cadeira que é, POR LEI, delas? Você joga lixo no chão da sua casa? e por que fazer isso no ônibus? Acho que ninguém ia gostar se chegasse alguém na sua casa e jogasse o saco da pipoca no chão da sua sala, ia?. O mal do homem é achar que ele é único, e que pode se virar sozinho sem se importar com nada e nem ninguém. 
O respeito tá escasso, e a cada dia que passa vejo situações em que dá vontade de ser extremista e brigar com quem desrespeita o outro, afinal de contas, e além de tudo, eu não sou obrigada a fumar passivamente um cigarro em um ambiente em que é proibido fumar, tá lá a placa, e aí? Ninguém faz nada, nem eu mesma. E por que? Acho que é por falta de esperança, ou pra evitar confusão, não sei. Mas tento fazer minha parte. 
Tente fazer a sua também, tente se colocar no lugar do outro antes de fazer algo que vá prejudicar alguém além de você mesmo. Não queira pros outros o que nem você quer pra si mesmo. Respeite! que só é respeitando que você é respeitado. Seja educado, sorria para alguém. Ajude quando puder. Faz bem pra alma, eu garanto. Você não tem nada a ver com aquela pessoa, não tem nada a ver com a vida dela, mas se você se colocasse no lugar dela em qualquer situação você provavelmente gostaria que alguém fizesse algo por você também. Não extermine o que há de bom ainda nesse mundo. Seja gentil, apenas isso, e você provavelmente sentirá a recompensa. 

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, [...] ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes" (Albert Schweitzer  )

30 de agosto de 2011

3 wishes for today...



    Hoje fui para a universidade, como sempre morrendo de sono, mal sabia que a primeira aula me renderia pensamentos para um dia inteiro. A aula de literatura é sempre muito interessante apesar de monótona. Me impressiono sempre mais com a inteligência e experiência de vida que minha professora carrega e fico imaginando o quanto ela não deve ter vivido para estar onde está. Mas tá bom, hoje ela nos fez uma pergunta um tanto quanto intrigante, mais ou menos assim: Se Deus entrasse na sua casa, e dissesse que realizaria seus 3 desejos mais urgentes, quais seriam? Me pus a pensar, quais seriam as três coisas que eu mais quero na vida? Pensei logo na minha família, na minha vida profissional e em dinheiro.
       Mas pensei melhor e decidi que se isso viesse a acontecer de verdade algum dia, eu pediria primeiro que Deus restaurasse o mundo, devolvendo para a natureza tudo aquilo que o homem roubou, de forma que o mundo fosse novamente um lugar bom. Em segundo lugar pediria que Deus acabasse com a maldade e a ambição da humanidade, pois acredito que a ambição é a culpada por muitos e muitos defeitos do homem, se ela não existisse não haveriam motivos para querermos ser maior e melhor que ninguém e todos poderiam conviver em paz. Em terceiro lugar, pediria a Deus que iluminasse e guiasse a humanidade pelo caminho do bem, do amor e da paz, de forma que nós não pudéssemos mais nos perder de seus mandamentos e de seu amor. Sei que seria um caos no início, mas seria uma forma de recomeçar, de construir um novo mundo de maneira responsável, de respeitar para ser respeitado. Minha ideia pode até ser estranha, mas eu gostaria de vê-la realizada. 
     E se não se realizasse de uma forma tão radical, que se realizasse no dia a dia desse mundo conturbado em que vivemos mesmo.Eu só quero mais paz, mais respeito, mais sorrisos. Quero mais árvores, mais pássaros, mais borboletas. Quero mais educação, mais ética, mais compromisso. Quero mais amor, porque se tudo fosse feito com amor provavelmente todos os outros desejos seriam consequência dele. 
Eu não posso mudar o mundo, mas posso construir um. E eu juro que estou tentando fazer a minha parte, tornando o meu mundo um mundo melhor, baseando-me no que acredito ser bom.
     Voltando a aula de literatura, eu não desejaria ser imortal como muitos autores desejaram ou demonstraram querer. Tenho medo de morrer sim, mas esse medo é consequência de outros medos,  medo de não poder viver, de não poder fazer tudo o que desejo, de não poder dar um ultimo abraço nas pessoas que amo, medo de não ter tempo pra ser feliz. 
Enfim, como reza a lenda, ao soprar um dente-de-leão seus desejos se realizam, esperarei ansiosamente encontrar um, e enquanto isso não acontece eu me prestarei apenas a pedir que Deus tenha piedade de nós, e que não desista do mundo até que a ultima esperança se perca.

19 de julho de 2011

Ai o preconceito, como ele é ridículo...



     Bom, eu não sou a favor do homossexualismo, mas também não sou contra. Venho ouvindo demasiadamente esses dias, discursos de pessoas preconceituosas, umas dizendo que "o casamento gay não deveria ter sido aprovado", outras dizendo que a Rede Globo quer "enfiar na nossa cabeça que gay é normal, nos obrigar a aceitar viado" . Acho um absurdo esse tipo de coisa, primeiro que não existe casamento gay, união estável não é casamento, não é matrimônio, não é sacramento da igreja. Deus nos deu liberdade pra escolher entre o bem e o mal, se Deus condena a relação homossexual, só ele tem o direito de julgar a situação, nem eu nem ninguém pode se achar no direito de fazer isso por Ele. 
    Outra coisa, a Rede Globo está sim enfatizando o homossexualismo, mas o que ela está mostrando não é nada mais nada menos do que a realidade. O homossexualismo existe, e existe também a violência contra pessoas homossexuais. Você tem o direito de aceitar ou não a proposta da Globo de conscientizar as pessoas da existência desse tipo de situação, mas você também pode manter-se na ignorância, desrespeitando pessoas simplesmente por elas nao terem a mesma opinião que você, por elas optarem por ser diferentes, ou por elas serem diferentes mesmo sem querer. A maioria dos meus amigos são gays, e eu os amo e os respeito, porque sei que isso não muda nada sabe!? A vida não é minha, eu não me meto. Apenas respeito, porque não cabe a mim decidir o que é melhor pra ninguém, cada um sabe o que é melhor pra si. Eu também não apoio, não vou incentivar alguém a ser homossexual, não vou dizer que Deus concorda com isso, mas também não vou julgar.
    O preconceito é ridículo! É ridículo alguém se achar no direito de julgar os outros, seja por serem gays, negros,  gordos ou magros, nordestinos, estrangeiros, pobres, doentes ou diferentes de alguma forma. É ridículo se achar superior, é simplesmente ridículo.
    Além do mais, amor é amor, ele não muda, nem escolhe, ele simplesmente acontece. E não cabe a mim decidir onde ele vai acontecer.